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Notícias

  01/09/2014 

Içami Tiba fala sobre a difícil arte de educar os filhos

Psiquiatra e educador Içami Tiba dá orientação aos pais sobre como agir na formação dos filhos e sentencia: palmada não resolve

Paula Costa Bonini - Folha de Londrina

 

Para o educador, os pais não têm conhecimento necessário para educar os filhos, recorrendo a erros como falta de imposição de limites e superproteção.

Mesmo diante da gama de informações disponíveis os pais do século 21 ainda encontram dificuldades na missão de educar. Para reverter esta realidade, é necessário que todos os envolvidos na educação - como pais e professores - busquem formas de amenizar os problemas decorrentes da nova dinâmica familiar e da mudança de valores. 

Seguindo a linha de ''quem ama, educa'', o psiquiatra e educador Içami Tiba, autor de 22 livros, faz um alerta em entrevista à Folha de Londrina: os pais não têm o conhecimento necessário para educar os filhos, recorrendo a erros como falta de imposição de limites e superproteção. 

Muitos pais evitam o sofrimento e a frustração do filho, acreditando que favorecem a formação deles. Que prejuízo isso pode acarretar no futuro?

Se a gente faz pelo filho o que ele tem que fazer, estamos deixando-o 'aleijado', e no futuro ele não vai render o quanto poderia. Esse filho pode se tornar uma pessoa sem iniciativa que, além de ficar esperando que os outros façam as coisas por ele, também quer mandar. Os pais devem se tornar educadores, fazendo do filho um cidadão ético e não uma pessoa mimada e dependente. 

É possível reverter uma situação dessas na adolescência?

Desde que os pais retomem a posição de autoridade, preocupando-se em não dar ao filho o que ele não tem competência de fazer. Se não for severo e não cortar as folgas do filho, ele se acostuma a ser um bebezão adolescente e lá fora a vida não é assim. 

Castigo resolve?

Eles têm que arcar com as consequências: sujou tem que limpar, tirou brinquedo do lugar tem que guardar. O que não adianta é dar umas palmadas, pois depois o filho adolescente bate no pai, que tem vergonha de dizer isso aos outros. Muitos pais estão apanhando moralmente do filho, porque eles deixaram a tirania crescer e não tiveram a autoridade suficiente para educar. 

Devido à correria da vida profissional, os pais têm ficado pouco com os filhos. Como isso pode interferir na educação das crianças?

Os pais que dão computador ao filho e reclamam que não têm tempo, estão com um pé no 'jurássico', acreditando que precisam estar fisicamente presentes para educarem os filhos. Se deram o computador, devem aprender a entrar no Orkut, a fim de conhecer todos os amigos do filho. É preciso compartilhar da vida do filho. Por exemplo: se ele tiver prova no final do mês, os pais têm que cobrar se o filho estudou e pedir que envie à eles um torpedo de poucas linhas, com suas palavras, sobre o assunto da prova. Eles não precisam ficar juntos do filho para ver se ele, de fato, estudou. Dependendo do uso que se faz, o computador pode ser benéfico na relação entre pais e filhos. É possível conciliar a vida profissional com o papel de pai e mãe. 

E o papel da escola, como fica?

Se os pais acompanharem a vida escolar do filho, melhor será o estudante. O grande erro é o fato de muitos pais soltarem a educação em casa, achando que a escola vai educar. A criança educada em casa aproveita melhor a escola. Já os educadores precisam orientar os pais, que, muitas vezes, são contra a escola. Mas como eles podem ser contrários à escola que ensina o filho deles? Tem pais que querem mudar o mundo para que o filho seja do jeito que é, mas o mundo não vai mudar. É a pessoa que tem de se adaptar ao mundo. Na escola também tem que haver regras, por isso se fala em disciplina, em cidadania escolar. É preciso que escola e família eduquem junto à criança, o que chamamos de educação a seis mãos. 

É possível estabelecer uma relação de amizade e respeito entre pais e filhos?

Esse negócio de amizade é algo muito falso. Dizer que os pais são os melhores amigos do filho é mentira, pois eles não saem juntos para as baladas, não fumam maconha e não ficam 'segurando vela' para o filho sair com uma garota. Pais e filhos devem ser companheiros, devem compartilhar e dividir coisas que não se faz com ninguém. Amigo é amigo. Não tem essa dos pais serem amigos dos filhos, tem que ser companheiro. 

O senhor tocou no assunto de fumar maconha, dilema para muitos pais de adolescentes. Na sua opinião, qual deve ser a atitude dos pais quando percebem que o filho está usando algum tipo de droga?

Tem que reprimir. Não tem essa história de eu quero experimentar para ver o que é. Então por que não experimenta usar a roleta russa do revólver? Se o filho usar e os pais perceberem, cabe a eles controlarem para que ele não volte a usar. Se for preciso, fazer até exames no filho para verificar se, realmente, não está mais utilizando. Não tem essa de dizer ao filho: você não vai fumar porque eu não quero. Tem que justificar as razões, não utilizando preconceito e autoritarismo, mas sim conhecimento. E isso serve para outras situações também, os pais nunca devem dizer: faça isso porque estamos mandando e pronto, pois cada norma necessita de uma explicação. 

Para finalizar, que recado o senhor deixaria aos pais e educadores do século 21?

O maior problema dos pais de hoje é que eles não têm o conhecimento necessário para educar os filhos. Por isso, meu conselho é: estudem. Têm matérias sobre educação nos jornais, livros. Aos educadores, digo que tem que se atualizar sempre, pois teorias existem muitas, sendo algumas até obsoletas. Ou a pessoa se atualiza ou vai continuar funcionando como profissional do passado com jovens do presente.

Link: http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-34--48-20080928
Última atualização: 01/09/2014 às 16:54:48
 
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